Era o ano de 1980... Parece tão distante, mas distante mesmo estava a realização do sonho de ser artista destas duas figuras: Paulo Uberti, o "Binha", e Giovane Carvalho, o "Gico".
Pro Binha isso era como respirar, pois jura de pés juntos que realizou sua primeira composição aos 7 anos de idade. Pode?
Já o Gicão (como é conhecido hoje) sempre esteve atrás de um microfone demonstrando muita facilidade em atingir notas altas.
Mesmo sem terem desenvolvido técnica nenhuma, aventuraram-se por diversos festivais de música, em Porto Alegre.
Por motivos ainda desconhecidos até por eles mesmos, estiveram afastados por mais ou menos 6 anos. Mas o destino é implacável e, também sem entenderem muito o porquê, voltaram a se encontrar; e, como não poderia deixar de ser, voltaram a pensar em música. Porém, pensar somente seria muito pouco -- era preciso recuperar o tempo perdido, era preciso concretizar um sonho que foi interrompido.
O RECOMEÇO
- "Cara! Tu já ouviu o último CD do Ira?? Um acústico!! É muito bom!! Os caras vão se apresentar no Opinião, vamos lá??"
No Opinião tudo era um sonho!! Ficaram no gargarejo, respingados pela saliva do Nasi -- chegaram até sentir o cheiro do baseado que o Gaspa (baixista do Ira) acendeu durante o show.
O Binha então não tirava os olhos da careca do Scandurra. "Como toca esse cara!!!!"
O Gicão dizia "eu sou o Nasi!! eu sou o Nasi!!"
Ali, mesmo em silêncio, houve o pacto: "nós vamos ser artistas!!"
O INÍCIO DA CONCRETIZAÇÃO DO SONHO
"O que temos para formar a banda??" Um quarto nos fundos da casa do Gico atrolhado de bugigangas! "Vai ser aqui mesmo!"
Instrumentos? Um violão e um vídeokê completamente detonado onde os dois ficavam tocando e cantando por várias horas. Pobres vizinhos!
Emocionados e empolgados com a idéia, começaram a produção das músicas. A primeira foi 'Todo Dia'. "Que tal Gicão??", perguntou o Binha quando apresentou-a pela primeira vez. "É isso! É isso!", dizia o Gico.
Turbinado, o Binha logo apresentou mais duas músicas: 'Dona da Rua' e 'Plano A'. Em seguida começou a buscar parcerias para as letras e diversas músicas foram nascendo: 'Estrelas', 'Vou voar', 'Sol maior' e outras.
Perceberam que estava surgindo uma grande oportunidade para a união de amigos e família.
CRIANDO UMA BANDA
A esta altura, o Gicão já havia construído um estúdio com paredes amarelas para ensaios (o "Bob Esponja"), e já estavam fazendo algumas gravações onde o Diego (grande amigo, dono de um estúdio) tocava quase todos os instrumentos.
Logo, Binha convidou sua sobrinha Lívia para fazer os backvocais.
Tinham um CD com algumas músicas, porém não havia banda. Seriam "Os Fantasmas??!!!"
Por sorte, o sobrinho do Gico tinha uma banda e, num dia, ouviu o CD com a música 'Todo Dia' e o grupo quis conhecer os caras. Não deu outra: o baterista Luciano Ferreira imediatamente se integrou ao grupo, trazendo algum tempo depois o baixista Daniel Ferreira.
Com a entrada do Luciano e do Daniel, a coisa ficou com outra cara -- a aparelhagem foi sendo adquirida, o estúdio totalmente reformado, com retornos, mesa de som, amplificadores e microfones, e os festivais aparecendo. Porém, sem guitarrista, o grande amigo Flávio Mierlo (denominado padrinho dos Catetos) ajudava com suas belas participações.
Mas como uma banda de pop rock poderia sobreviver sem uma guitarra efetiva, que pudesse participar não somente dos festivais, mas de todo o processo?? Então Daniel lembrou de um certo amigo. E como por um acaso do destino, num belo dia andando pelo centro de Porto Alegre, quem ele encontra? O próprio! Trocam algumas idéias, e logo Marcelo Schultes já estava participando da banda.
Assim nasceu a formação inicial da Banda CatetOposto.
Muitas pessoas auxiliaram neste início e é certo que, se tentarmos relacioná-las, iremos esquecer de alguém (e não gostaríamos de correr este risco). Mas vale a pena mencionar aqueles que efetivamente, em algum momento, integraram os Catetos e contribuíram de forma efetiva para o nosso desenvolvimento: Daniel Ferreira, Diego (multi-instrumentista), Gilmar Boldrini, Flávio Mierlo, Lívia Pereira, Emily Ferreira, Luciano (Guga) Ferreira, Enzo, Carlos, Guilherme Pegorini, Edson.
A estas grandes figuras, que tornaram-se nossos irmãos e que dedicaram parte da sua vida pra entender e executar músicas que jamais pensávamos que um dia fossem tocadas nos lugares onde tocamos, o grande abraço dos catetos.
O DIA DE HOJE
Atualmente, os catetos são formados pelos seguintes músicos e amigos:
- No viõlão, Paulo Uberti (Binha): desde os 12 anos, já fazia composições. Aos 17, ganhou seu primeiro prêmio, por participação em festival estudantil, tocando e cantando música própria;
- No vocal, Giovane Carvalho (Gico): cantando a vida com seu contagiante entusiasmo, paixão e dedicação pela música, Gico está sempre à frente das decisões, eventos e programações dos catetos;
- No baixo, Breno Baldo: iniciou sua carreira na adolescência, tocando pelos bailes da vida incentivado por seu tio, o qual tinha o mesmo nome e dava origem ao Conjunto Breno Baldo Show;
- Na guitarra, João Hudson: teve seus primeiros contatos com uma guitarra ainda criança (influência forte dos grandes mestres, tais como Eric Clapton, George Harrison, Jimi Hendrix e Carlos Santana), aportando definitivamente na CatetOposto no começo de 2006;
- Na bateria, Felipe Rosa: toca bateria desde muito cedo, e tem demonstrado grande harmonia e ritmo com as baquetas. Em 2009 veio rufar seus tambores junto com a trupe dos catetos.
Esta é a história de um sonho que hoje começa a se tornar realidade. Não precisa ser gênio no que se faz -- a genialidade pode ser compensada pela força de vontade, dedicação, amor, amizade e simplesmente adorar o que se faz.
Um especial obrigado a duas pessoas que, nestes últimos anos, não têm medido esforços para apoiar e incentivar a banda: Lélia e Denise. Valeu!!!
E é claro que esta história não termina aqui... esta formação atual tem várias e boas pra contar. Nos aguardem!